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Dilma vem a Taboão para visitar o ‘Cardeal dos Direitos Humanos’

Por Adilson Oliveira, no Centro de Taboão da Serra

Em 1995, o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo, na missa campal de Corpus Christi no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. (Foto: Adilson Oliveira / Jornal Atos)

A presidente Dilma Rousseff estará em Taboão da Serra nesta sexta-feira, dia 18, mas não para um compromisso político-partidário. Ela vai fazer uma visita, em caráter pessoal – não consta da agenda presidencial –, ao cardeal dom Paulo Evaristo Arns, na casa de repouso das freiras da Congregação Franciscanas da Ação Pastoral, que cuidam do religioso franciscano, no Parque Monte Alegre, por volta das 16h. Helicópteros e carros da presidência fizeram nesta quinta-feira reconhecimento do local.

“Ela vem fazer uma visita a ele”, disse ao Taboão em Foco uma religiosa, que evitou dar detalhes por ordens do próprio dom Paulo, que – aos 90 anos e lúcido – quer um encontro reservado. Pela agenda presidencial, Dilma chegará a São Paulo para visitar, às 14h50, a exposição “Guerra e Paz”, de Portinari, no Memorial da América Latina. Antes da volta a Brasília, prevista só para 18h10, visitará o cardeal. Autoridades do município devem acompanhar.

Dilma deverá prestar homenagem a dom Paulo, chamado “Cardeal dos Direitos Humanos”, pela atuação contra a ditadura militar pós-1964 e particular denúncia contra torturas nos porões da repressão. Bispo na zona norte no fim dos anos 60 e arcebispo de São Paulo – que compreendia os municípios da região – a partir de 1970, época sangrenta do regime, ele criou a Comissão Justiça e Paz com renomados juristas, para defender perseguidos e presos políticos.

Dom Paulo coordenou, com o pastor presbiteriano Jaime Wright (1927-99), pesquisa que sistematizou informações de um milhão de páginas sobre 700 processos militares e revelou a extensão da repressão política no país, com relatos de práticas institucionalizadas de tortura. Feito entre 1979 e 1985, clandestinamente por causa da ditadura, o projeto resultou no livro “Brasil: Nunca Mais”. Presa em São Paulo, a hoje presidente foi uma das vítimas de cruéis maus-tratos.

Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de Instalação da Comissão Nacional da Verdade, no Palácio do Planalto. (Divulgação / Roberto Stuckert Filho/PR)

Na quarta-feira, dia 16, Dilma instalou a Comissão da Verdade, que terá a tarefa de apurar, em dois anos, violações aos direitos humanos em período que compreende o regime militar mais recente, sem poder de punir os responsáveis. Na cerimônia, dom Paulo teve o nome lembrado, inclusive por ter idealizado o célebre livro, por um dos escolhidos pela presidente para integrar a comissão, o advogado José Carlos Dias, histórico membro da Comissão Justiça e Paz, da qual foi um dos presidentes que o cardeal nomeou.

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