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ENTREVISTA: PT ofereceu R$ 200 mil e três secretarias pelo apoio do PC do B, declara Toninho

Por Adilson Oliveira, na Vila Iasi, em Taboão da Serra

O presidente do PC do B de Taboão da Serra, Antônio Gomes, o Toninho, 49, diz que o partido declarou apoio ao petista Wagner Eckstein após o PT oferecer “toda a estrutura que precisamos” para uma campanha, com dez candidatos a vereador, que irá custar “em torno de” R$ 200 mil. Pelos valores que apresentou – cerca de R$ 10 mil mensais por postulante, ou R$ 30 mil nos três meses de disputa -, porém, o pagamento seria, no mínimo, de R$ 300 mil. Os comunistas acertaram também em troca o comando de três secretarias, em caso de vitória. O dirigente alega que o PC do B desistiu do apoio a Aprígio após pesquisa apontar que a pré-candidatura “não decolou”, mas se queixa de que o prefeiturável do PSB foi o único a negar ajuda financeira. “Não ofereceu nada, por isso mudamos de candidatura”, diz ainda na entrevista que concedeu ao Taboão em Foco na manhã da terça-feira, dia 29.

Horas depois da entrevista, vazou na internet  e foi entregue de forma anônima a jornalistas e aos vereadores um DVD com o áudio do que seria uma conversa entre Toninho e os filiados do PC do B, onde de maneira explícita são divulgados valores da negociação para que os pré-candidatos escolham a quem vão apoiar.

Presidente Toninho (PC do B) durante entrevista na manhã desta terça-feira, dia 29.

Taboão em Foco – Como define a decisão do partido de apoiar a pré-candidatura de Wagner Eckstein?

Antonio Gomes, Toninho – Tínhamos deliberado apoio à pré-candidatura de José Aprígio da Silva, mas, no andamento do trabalho político em Taboão, vimos que a candidatura não decolou. Tomamos outro rumo, em discussão com a executiva e os pré-candidatos, de apoiar a candidatura do PT, do companheiro Wagner Eckstein.

TF – Como o PC do B concluiu que a candidatura de Aprígio não decolou?

Toninho – Contratamos uma pesquisa, qualitativa, que mostrou que Wagner Eckstein cresceu mais do que o próprio Aprígio.

TF – Qual a diferença de pontos?

Toninho – Quando declaramos apoio a Aprígio [no fim de 2011], era de 8 pontos a favor dele [segundo pesquisa encomendada pelo governo]. Na que fizemos [no mês passado], foi só de 2 pontos. Aprígio continua na frente, mas [a diferença para Eckstein] caiu de 8 para 2, ou seja, Aprígio estagnou e o Wagner cresceu.

TF – Por que o resultado?

Toninho – Constatamos que, principalmente nos grotões, mais ao fundo [periferia], Aprígio não tem inserção junto à população, e o PT seria mais inserido nesse meio.

TF – Na entrevista ao Taboão em Foco em abril, o sr. declarou apoio incondicional – esse é o termo – à pré-candidatura de Aprígio. Inclusive, o sr. levou Aprígio a um evento com uma das maiores lideranças do partido, Aldo Rebelo, para oficializar que o PC do B apoiava Aprígio. Como o eleitor pode entender essa mudança tão repentina, em pouco mais de um mês?

Toninho – A política é muito dinâmica. Naquele momento, achávamos – e o PC do B foi o primeiro a dizer isso – que o Aprígio era o melhor nome para Taboão, por ser um empreendedor de sucesso, uma pessoa íntegra – e não retiramos uma palavra. Só que a campanha não correspondeu. E a política se faz para vencer, nela não tem espaço para derrota, se o político é derrotado, escolheu mal, é um prejuízo para quatro anos. Estamos vendo a possibilidade de crescimento da candidatura do companheiro Wagner Eckstein mais do que a do Aprígio.

TF – Segundo apurou o TF, o PC do B passou a apoiar Wagner Eckstein depois de ter recebido garantia de acerto financeiro para campanha dos pré-candidatos do partido. Procede?

Toninho – Sou o presidente, e para tocar qualquer campanha necessito de recursos, temos que correr atrás de todos que possam investir numa campanha eleitoral. E eu não posso me furtar dessa obrigação, ver a melhor opção. Foi feita proposta de campanha, como [o pré-candidato] poderia nos ajudar. É recurso financeiro para custear a campanha, não existe acordo para “nego” ganhar dinheiro, e sim para manutenção de campanha.

TF – O que o PT ofereceu para o PC do B fechar com o partido?

Toninho – Toda a estrutura que precisamos para uma boa campanha de dez candidatos, como equipe de rua, carro de som, material de campanha…

TF – O TF tem a informação de que o PT ofereceu R$ 350 mil para o PC do B fechar apoio.

Toninho – Mentira, mentira. Não existe esse valor.

TF – Aprígio não fez uma proposta?

Toninho – Falou que ia dar material de campanha, e a estrutura financeira era para conversar com Evilásio Cavalcante de Farias. Só isso.

TF – O PC do B conversou?

Toninho – Não houve conversa. Achamos que o Evilásio não é mais candidato, está encerrando o ciclo de contribuição dele com o município.

TF – Aprígio só ofereceu material de campanha?

Toninho – Para ficar claro, fizemos essa proposta [ajuda financeira] para os três candidatos que estão aí com chances reais de ganhar a eleição: Dr. Fernando Fernandes, José Aprígio da Silva e Wagner Eckstein. Mostramos para todos eles o custo de campanha do PC do B.

TF – Quanto?

Toninho – Gira em torno de R$ 200 mil para 10 candidatos, incluindo material e também [contabilidade de] prestação de contas. Elaboramos [proposta de] custo para uma campanha super barata, não só apresentada aos pré-candidatos em Taboão da Serra como para nosso partido no Estado, e todos eles contribuem, sempre contribuíram.

TF – Qual foi a resposta à proposta feita a Fernando Fernandes?

Toninho – Todos eles, com exceção de Aprígio, nos apresentaram contraproposta para a campanha. Tem que ficar bem claro que não existe interesse de manipulação de dinheiro para a Executiva ou candidato individual, existe o interesse coletivo. Discutimos a necessidade de cada um, que é uma equipe de rua de6 a 10 pessoas, um carro de som para cada candidato, um pequeno comitê nem que seja uma garagem com um computador, e10 a15 litros de gasolina por dia. Botando no papel, dá em torno de R$ 9 mil, não chega a R$ 10 mil, por candidato.

TF – Mas o sr. disse R$ 200 mil…

Toninho – Para a campanha toda. O que falei é o custo mensal. Para todos os proporcionais, em R$ 9.220 ficará o custo mensal.

TF – Por candidato?

Toninho – Por candidato. Veja como é fácil fazer campanha para o PC do B, não gasta nem R$ 10 mil para uma campanha mensal.

TF – São quantos candidatos?

Toninho – Dez… Não, não, veja bem, estamos propondo, não sei se vamos ter uma coligação em que serão dez. Hoje, por exemplo, se fosse com o PDT, já não teria mais dez vagas, só oito.

TF – O PC do B pretende coligar com quem?

Toninho – Se ficarmos do lado de cá, com PT, com o PDT, se vier para cá, com o PTB… Temos interesse de coligação proporcional com vários partidos. E se for com o Dr. Fernando? Já coloquei que conversei com todos! Deliberamos no último dia 25 o apoio para antes das convenções. Podemos mudar? O apoio foi elaborado, [mas] não foi firmado nada ainda. Isso tem que ficar bem claro, daqui a pouco sai uma reportagem de que já fechamos e pegamos dinheiro. Não existe isso, existe o apoio formulado. Vai ser cumprido o acordo? E se não for? A conjuntura nos dá espaço para mudança. Existe a possibilidade? Claro, só não vai haver mudança após as convenções.

TF – Mas que acordo precisaria ser cumprido para que o PC do B decida não mais mudar de posição?

Toninho – Vai depender se vierem mais partidos para a base. Se acharmos que a candidatura também não vai decolar…

TF – O PC do B pode voltar a apoiar Aprígio?

Toninho – Pode.

TF – Por que apoiaria de novo?

Toninho – Pelo que acabei de dizer, se não vir mais partido nenhum, continuarmos isolados, se mesmo na [aliança] proporcional chegarmos à conclusão de que com o PT não atingiremos o resultado eleitoral que imaginamos, de fazer duas ou três cadeiras…

TF – O PC do B pode vir a apoiar Fernando?

Toninho – Também pode. Com certeza. Sem dúvida nenhuma.

TF – Se o PC do B muda a cada nova conjuntura, vai anunciar apoio a cada 15 dias…

Toninho – Não, não, o apoio à candidatura PT está confirmado, deliberamos por votação, incluindo dos dez pré-candidatos, que vamos apoiar a candidatura de Wagner Eckstein. Agora, pode mudar, e um dos fatores é a estagnação da candidatura, é a não adesão de mais partidos, o que fez que mudássemos do Aprígio. Não posso frustrar sonhos dos pré-candidatos que vieram com entusiasmo de fazer uma boa campanha e ganhar, colocando o partido num rumo onde não tem ninguém ou ficando numa agremiação [cabeça de chapa] que vai perder.

TF – Dessa maneira, o partido fez uma aliança financeira com o PT, uma vez que não há propostas em discussão.

Toninho – Não. Repito, a aliança que estamos fazendo é conjuntural, precisamos botar a campanha na rua. Conversamos com o PT, com o Dr. Fernando e com o Aprígio, [sobre] participação no governo numa eventual vitória. Sem fazer vereador, queremos o quê? Com o PT, manter a Secretaria de Esportes e ter mais a Secretaria de Planejamento. Está no acordo. E se fizermos vereador, nosso potencial aumenta, vamos ter votos lá [na Câmara]. Aí, falamos em ter mais uma secretaria, a de Cultura. Já foi discutido.

TF – Com o Aprígio, qual foi a conversa?

Toninho – Falou que só ia dar material de campanha.

TF – Secretarias?

Toninho – Nenhuma. Não foi discutido.

TF – O PC do B pleiteou quais, as mesmas [pedidas ao PT]?

Toninho – Não… José de Aprígio não ofereceu nada, por isso mudamos de candidatura.

TF – Mas o partido não pediu?

Toninho – Claro que solicitamos…

TF – O PC do B pediu também Planejamento e Cultura [além de Esporte]?

Toninho – Não, isso pleiteei para o PT. Para o Aprígio, quando apresentei o orçamento de campanha, e pedi para falar sobre participação no [eventual] governo, ele disse: “Não. O que está dando certo, não vamos mexer, o Esporte continua com o PC do B”. Só isso.

TF – E com Fernando Fernandes?

Toninho – Discutimos com ele a vice-prefeitura, participação no comando da campanha e mais a Secretaria de Esporte.

TF – TF teve a informação de que para fechar com o PT o sr. receberia R$ 50 mil?

Toninho – Mentira. Quem falou isso falou inverdade. Não recebi nada, fiz a discussão para as campanhas dos meus pré-candidatos. Talvez tenha vazado por ter o hábito de fazer isso às caras, com transparência, com o conhecimento da Executiva e pré-candidatos. Tudo que eu elaborei entreguei na mão do Dr. Fernando, do Aprígio e do Wagner. Foi orçamento com estimativa de custo de campanha – [falava] “quanto você me oferece disso aqui, dá para cumprir algum item?”; “se não dá, não tem problema, vamos discutir”. Poucos presidentes têm o caráter de fazer isso, mas às vezes as pessoas usam de má fé. Se fosse para fazer as coisas escondidas, não ia botar no papel. E poucos fazem isso.

TF – O sr. disse que o PC do B pode desistir de Wagner e voltar a apoiar Aprígio, e ainda aderir a Fernando Fernandes, em troca de dinheiro para campanha e secretarias. A prática é fisiologismo.

Toninho – Não temos o hábito de fazer fisiologismo, somos [um partido] de ideologia. Agora, a ideologia hoje vem pela governabilidade. Hoje, não há mais problema nenhum em fazer aliança com o PSDB, seja o Dr. Fernando em Taboão ou [José] Serra em São Paulo. O próprio Lula chamou o deputado mais votado de Goiás [em 2002] para ser presidente do Banco Central – que rege a nossa economia –, o Henrique Meirelles, que era do PSDB.

7 Responses

  1. Sou presidente do PT de uma cidade Mineira, e o maior problema dos partidos no interior, é seus diretórios serem desprezados pelos líderes Nacionais e Estaduais, sou a favor do financiamento Público para as Campanhas políticas, mas temos que trabalhar para mudar a cultura política de nosso povo, com programas políticos nos meios de comunicação durante todo o ano e a matéria política partidária fazer parte do currículo escolar a partir da sexta série do ensino fundamental. Mas esta do PC do B é vergonhosa e corrupta.

  2. Fabio disse:

    Bom, pelo que pude perceber, o TONINHO DO R$(pc) do B, está fazendo leilão,tenho pena do Lune….. grande liderança na cidade e com um mal administrador na presidência do partido. Tomara que o Lune vire presidente da sigla ai acaba com esse rapaz de vez na politica.

  3. Ana disse:

    Aprígio foi o unico que não ofereceu dinheiro??? VOTO NELE!!! Isso é ser honesto, ganhou meu voto!

  4. Redação disse:

    Olá Mara,

    Esclarecemos que esta entrevista não está vendida, conforme acusa em seu comentário.

    O nosso compromisso é informar com responsabilidade aos nossos leitores.

    Sem mais,
    Allan dos Reis
    Jornalista Responsável

  5. Mara disse:

    Que nojo!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Eu podia até acreditar, se não soubesse e conhecesse bem este Toninho do PC do B, trapaçeiro político, aposto que esta entrevista tambem está vendida.

  6. Julia disse:

    A entrevista demonstra que “todos são farinha do mesmo saco”. Não existe mais ideologia partidária, e sim corrupção dos bastidores, estampada na matéria. O que está bem demonstrado é que em nome da governabilidade criam-se imensas “Torres de Babel”, com o loteamento da Secretaria, onde vaidades pessoais imperam em detrimento da população. A população está atenta e “voto não tem preço, tem consequência.

  7. Jonilson disse:

    Alto lá seu Toninho do PCdoB! Comparar política de aliança eleitoral com política de governabilidade é apostar na confusão. O senhor não sabe que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa? Então pede pra sair. Ao que consta o Lula chamou o Meirelles para o governo DEPOIS DE ELEITOS, bem diferente da situação trazida pela entrevista. Seria o caso de perguntar: O que seria do Lula se o seu partido se comportasse como o PCdoB de Taboão? Eu digo: nunca teria sido eleito a nada, o que, no caso, seria a justa paga pra quem não tem valores políticos dignos, tampouco pudores morais.

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