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‘Evilásio cometeu erro estratégico, mas PT não ocupou espaço’, diz ex-secretário Toninho

Por Adilson Oliveira, direto da Redação

Primeiro secretário de Negócios Jurídicos do governo Evilásio Farias e que comandou a Unidade de Controle Interno (espécie de controladoria-geral do município), o advogado Antonio Rodrigues diz que a decisão do prefeito de exonerar livre-nomeados do PT, “que sempre foi leal ao governo”, foi um erro estratégico que só produz o “esfacelamento da base governista” e favorece o pré-candidato da oposição, Fernando Fernandes (PSDB). Em entrevista ao Taboão em Foco, Toninho, como conhecido, ex-filiado petista, afirma ainda que Evilásio não é o único responsável, que “o próprio PT não ocupou na administração e no Legislativo o espaço que deveria”.

Ex-secretário do governo Evilásio, Toninho fala sobre a relação entre o PT e o prefeito Evilásio. (Foto: Divulgação/CMTS)

Taboão em Foco – Como avalia a decisão do prefeito Evilásio de exonerar dezenas de livre-nomeados do PT após o partido conseguir o apoio do PC do B na disputa pela sucessão municipal?

Antonio Rodrigues - Trata-se de um erro estratégico. A direita local, leia-se, PSDB/DEM/PMDB, deve estar soltando fogos com o esfacelamento da base governista às vésperas do início da campanha eleitoral.

TF – Qual foi a postura da vice-prefeita Márcia [Regina] em relação ao governo encabeçado pelo PSB e mesmo a Evilásio. Foi de apoio e lealdade inquestionáveis?

Rodrigues - Apesar das compreensíveis divergências pontuais ao longo dos dois mandatos, o PT sempre foi leal ao governo. Mais que isso, foi parceiro efetivo na administração e na Câmara. Isso é um fato, tanto que o partido já paga o preço político por isso. A população não diferencia o PT da administração. Isso mostra a lealdade do partido ao projeto.

TF – Em vez de demitir os petistas em cargo de confiança, qual deveria ter sido a atitude de Evilásio? O PT tirou o PC do B do PSB e articula para que mais partidos “desembarquem” da pré-candidatura de Aprígio.

Rodrigues – São duas questões diferentes. A lealdade do PT ao governo é inquestionável. Outra coisa é o projeto político para a sucessão. Aí eu acho que tanto o PT quanto o PSB têm direito a postular candidatos próprios e tentar ampliar ao máximo suas alianças partidárias, apesar de considerar um erro o lançamento de duas candidaturas governistas. Rachado, o governo terá mais dificuldades para fazer seu sucessor e não será através de exonerações de última hora que se construirá a unidade, ao contrário, creio que essa atitude acirrara os ânimos e destaca aparentes incoerências políticas do governo, a exemplo da manutenção de pessoas filiadas a partidos já posicionados contra ambas as candidaturas governistas.

TF – Na prática, Evilásio empurra a administração para novo mandato de Fernando Fernandes?

Rodrigues - Não acho que o prefeito Evilásio pretenda ajudar, direta ou indiretamente, seu maior adversário. Trata-se de uma disputa partidária na base governista que pode ter consequências eleitorais trágicas para ambos os partidos e, pior, a meu ver, para a nossa cidade.

TF – Márcia disse em janeiro que Evilásio não construiu candidatura natural, apoia um candidato sem expressão [Aprígio]. Evilásio conduziu mal o processo para os partidos aliados fazerem o sucessor?

Rodrigues - Creio que não se pode responsabilizar o prefeito Evilásio pela falta de lideranças governistas com expressão eleitoral. O próprio PT não ocupou na administração e no Legislativo o espaço que deveria, perdendo-se na disputa interna e abrindo mão de bandeiras históricas, a exemplo do orçamento participativo. No final, é fácil encontrar culpados, difícil é fazer autocrítica e encontrar soluções de compromisso.

TF – Evilásio disse em fevereiro, em resposta a Márcia, que o PT devia apoio a Aprígio já que o candidato do seu partido tinha a adesão de mais de dez siglas, e Wagner Eckstein não tinha sequer uma aliança.

Rodrigues - Não existe critério político absoluto para definição de quem deve ou não abrir de candidatura e é sempre melhor ganhar cedendo que perder sendo inflexível. Insisto: se não houver solução de compromisso, ou seja, ambos os grupos abrirem mão de parte para receberem parte do que esperam, todos poderão ficar sem nada.

TF – Como vê a candidatura de Wagner Eckstein, páreo para a disputa com Fernando Fernando?

Rodrigues - Tanto Wagner quanto Aprígio podem fazer frente ao ex-prefeito, que não tem como crescer mais além daquilo que hoje ostentam as pesquisas, é conhecido em toda cidade e sua taxa de rejeição é elevada. Agora, numa eleição de um só turno, ele pode levar com 30% dos votos válidos. As candidaturas governistas, somadas, dificilmente ficarão abaixo de 40% dos votos. A matemática é simples. Somente a falta de um projeto político autêntico para a cidade é que impede a compreensão por parte dos governistas.

4 Responses

  1. MARIA EDUARDA disse:

    Concordo plenamente, com o Toninho apesar do PT ter tido excelentes aliados na Prefeitura, não soube aproveitar o espaço dentro da Administração de destaque.Mas mesmo assim sucesso ao WAGNER ECKSTEIN.

  2. O amigo Toninho diz que o PT não ocupou o devido espaço no governo, mas o próprio contribuiu para isso, pois pediu defiliação do partido e manteve o cargo de secretário dos negócios jurídicos, aliás, a atitude do prefeito foi boa para mostrar a alguns que diziam que o cargo era indicação dele e não pela força do partido.Para não ser injusto com o ilustre companheiro, esclareço que é um quadro qualificado do direito no campo da esquerda.

  3. carlos disse:

    Já jogou a toalha? é bom mesmo ir absorvendo a lavada que vão levar nas urnas, de preferencia se ficarem juntos psb e pt. É bom ir pensando em 2020. Evilazio trouxe todos secretarios e longe, quem nem conhecem Taboão, inclusive este toninho que é de Diadema. tá aí o seu erro.

  4. Muito boa a entrevista, concordo com 60% dela, mas não poderia deixar de comentar que o Toninho também fez parte da base governista e poderia ter contribuido para a discussão do projeto político em nossa cidade e impedir o retrocesso. Mas agora não vamos ficar lamentando os erros, vou fazer aquilo que sei fazer, ir para as ruas conversar com o povo e derrotar mais uma vez as forças políticas que querem voltar a prefeitura, vou com Wagner Eckstein e todos que querem AVANÇAR e fazer de nossa cidade um orgulho de se viver e morar.

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