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Sobrevivente do Suicídio: você conhece os grupos de apoio?

Por Ionice Lourenço e Lúcio Mário da Silva*

Sábado, dia 18 de novembro, foi o “Dia Internacional do Sobrevivente enlutados pelo suicídio, a data é mudada a cada ano pela AFSP – Associação Americana de Prevenção do suicídio com o objetivo de reunir sobreviventes enlutados para discutir e conversar sobre o seu luto, além de aumentar a consciência pública para o tema, acontece no terceiro sábado de novembro.

O Brasil está entre os dez países com mais número de suicídios. Uma pessoa perde a vida a cada 40 segundos no mundo e a cada 40 minutos no Brasil. Atualmente, segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 Milhão de pessoas perdem a vida por suicídio e para cada vítima, são impactadas seis ou mais pessoas, essas pessoas são chamadas de “sobreviventes” enlutados do suicídio que iniciam uma triste caminhada de silêncio, isolamento e sofrimento diante da tragédia.

CVVOs estudos relatam que o luto por suicídio tende a ser mais intenso e duradouro, carregado de estigmas, questionamentos, com um misto de sentimentos como culpa, dúvidas, julgamentos, impaciência, dentre outros. Quando você perde uma pessoa de forma natural ou involuntária geralmente as pessoas se solidarizam, te trazem conforto, em contrapartida quando a morte ocorre por suicídio, conforme afirma Franco (2010, p 21), “o enlutado não acolhe seu próprio sentimentos no processo de luto”, lidam ainda com um percurso doloroso, com perguntas frequentes como: o que eu poderia ter feito? Será que se eu fizesse alguma coisa poderia ter evitado o suicídio? Essas indagações acompanham o sobrevivente por tempo indeterminado no seu luto, diferente do luto normal que pode até durar um ano, segundo Parkes (1998).

“Como tudo que amedronta, falar sobre o suicídio é evitado pelas pessoas, mas o efeito provocado pelo silêncio é devastador e se prolonga por uma cadeia de sofrimento: ele impede quem pensa em tirar a própria vida de expressar suas angústias; incapacita amigos e familiares de abordar o assunto diretamente; e, por fim, alimenta a dor dos que perdem alguém para o suicídio.” Esse trecho foi extraído do livro Suicídio, o Futuro Interrompido – Guia para sobreviventes, da jornalista Paula Fontenelle.

Os grupos de apoio aos sobreviventes possibilitam acolhimento ao enlutado pelo suicídio, uma das ações desenvolvidas através da Posvenção. O que é Posvenção? É um conjunto de ações para dar suporte ao enlutado após a morte do parente, amigo, ou conhecido do sobrevivente. De acordo com o site oficial Elena, acredita-se que esta atitude é além de um lugar onde os enlutados podem se expressar sem receios e julgamentos, é também uma prevenção que pode ajudar a lidar melhor com pensamentos e ideações suicidas no processo de luto.

Em São Paulo existem grupos de apoio para os sobreviventes do suicídio, o CVV – GASS – Grupo de apoio aos Sobreviventes do Suicídio, também há 3 anos em funcionamento através do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, com equipe coordenada pela psicóloga Karen Scavacini, o “Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio”, todos os grupos são gratuitos e encontros mensais.

Além dos adultos, também ficam as crianças e os adolescentes, com suas interrogações, seus questionamentos quando morre um pai, uma mãe, ou um amigo próximo da família. Como os adultos, as crianças e adolescentes precisam vivenciar o luto, um dos medos mais frequentes que as crianças desenvolvem é de que o suicídio ocorra novamente na família e a deixará também. É importante tranquiliza-las e comunicar que elas podem expressar seus sentimentos também, segundo o Instituto Vita Alere, “Crianças podem se sentir muito irritadas depois de um suicídio”, a psicóloga Karen Scavacini sugere que é importante tranquilizar a criança de que o que sente não sentirá para sempre, pode demorar um tempo, mas ela vai se sentir melhor e sempre será amada e cuidada.

Um dos projetos do Espaço Terapêutico Viva Bem para 2018, é formar o primeiro grupo de sobreviventes do suicídio de Taboão da Serra, com encontros mensais, que ocorrerão na segunda terça-feira de cada mês, das 19:00 às 21:00 na Rua Adolfino de Arruda Castanho, 148. O desejo de formar o grupo nasceu em decorrência do aumento de casos de suicídios no município, fala a psicóloga Ionice Lourenço idealizadora do projeto de formar o grupo de sobreviventes e responsável pelo Espaço Terapêutico Viva Bem, os encontros serão gratuitos.

Caso você – ou alguém que você conheça – precise de ajuda, ligue 141, para o CVV – Centro de Valorização da Vida, ou acesse o site https://www.cvv.org.br/ O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. O Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio oferece informações sobre prevenção e posvenção do suicídio. http://www.vitaalere.com.br/.


Ionice Lourenço CRP – 06/112412 – Psicóloga/ Neuropsicóloga especialista pela USP/Terapeuta Cognitivo Comportamental, formada pelo CETCC, Associada pela ABEPS – Associação Brasileira de Estudos em Prevenção do Suicídio.

Lúcio Mário da Silva CRP – 06/120628 – Psicólogo/Psicanalista, Especializando em Sexologia, Sexualidade Humana Novos Paradígmas pela Faculdade de Medicina do ABC, Associado Co fundador da ABEPS – Associação Brasileira de Prevenção do Suicídio.

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