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Vereadores ameaçam virar oposição a Fernandes, mas recuam e ‘se tornam’ independentes

Por Allan dos Reis, no Jardim Helena

A promessa de cinco vereadores governistas de romperem com o prefeito Fernando Fernandes (PSDB) e irem para a oposição após a discussão tensa do mandatário com o vereador Alex Bodinho (PPS) não se concretizou nesta terça-feira (21). Em solidariedade ao parlamentar, os vereadores inventaram o Bloco Independente e Harmônico (BIH), que terá, além de Bodinho, os vereadores André Egydio (PSDB), Eduardo Nóbrega (PSDB), Érica Franquini (PSDB) e Carlinhos do Leme (PSDB).

O tom mais crítico dos discursos partiu de Bodinho, que chamou o prefeito de “covarde” e o acusa de ter mandado um assessor agredi-lo durante a discussão no gabinete.

Alex Bodinho voltou a atacar o prefeito Fernando Fernandes durante sessão. (Foto: Arquivo)

Alex Bodinho voltou a atacar o prefeito Fernando Fernandes durante sessão. (Foto: Arquivo)

“O prefeito foi covarde. Mandou um assessor dele me agredir. Se não fosse o Eduardo Nóbrega, que é parceiro, a Érica, Carlinhos do Leme e o doutor André Egydio, ele tinha pegado na traição. Ele fica usando esses assessores. Prefeito, eu não tenho medo de Ministério Público porque não devo nada para ninguém”, discursou Bodinho, que pediu apoio de todos os parlamentares.

Minutos depois, Eduardo Nóbrega, líder do governo, desnudou seu descontentamento com o governo.

“A nossa esperança de que aquela aliança seja histórica e eterna começa a desaparecer. O companheirismo passa a dar lugar a ameaças, agressões, falta de respeito e quando chega a esse momento, nós precisamos tomar atitude. […] Se nada for feito, amanhã será outro. Não vou dizer e não vou rasgar minha história ‘desdizendo’ tudo que disse desse governo. Vou manter a coerência, mas quando um assessor do prefeito chama um vereador de ‘vereadorzinho de merda’, está atingindo a todos os vereadores. É a voz corrente”, discursou Nóbrega.

Nóbrega anunciou a criação do BIH (Bloco Independente e Harmônico) na Câmara de Taboão da Serra.

Nóbrega anunciou a criação do BIH (Bloco Independente e Harmônico) na Câmara de Taboão da Serra.

E em seguida anuncio a criação do BIH. “Estamos criando aqui na Câmara, a partir de hoje, um Bloco Independente e Harmônico. Tudo é o homem [Fernando Fernandes], é o homem, o Toni [assessor] pega, o Doriana [assessor] bate, faixa não fica. Só mora na cidade o prefeito Fernando Fernandes? Meu pai [Olívio Nóbrega] tem seis mandatos [de vereador]. Eu tenho dois. E tenho direito de fazer política nesta cidade. Jamais deixarei a coerência. Temos um acordo com o prefeito e será cumprido integralmente, talvez, dependendo da sua conduta”, completou.

Novo bloco, na prática, é o antigo G5 da Câmara. Mas agora - provisoriamente - fora da base governista.

Novo bloco, na prática, é o antigo G5 da Câmara. Mas agora – provisoriamente – fora da base governista.

Érica taxou como humilhação o ocorrido. “Não concordo e achei uma humilhação. E como vereadores, eleitos pelo povo, queremos respeito e harmonia. Venho anunciar que sou um bloco independente. Que hoje vou brigar pelo que o povo quer. Como sempre briguei e algumas coisas não foram atendidas”, diz.

Egydio, ao aderir o BIH, disse que o “legislativo tem que ter respeito. O prefeito fala uma coisa e os amigos secretários fazem outra”. O vereador Carlinhos do Leme (PSDB) – ausente da sessão devido ao enterro do pai – compactua com o grupo.

Se na semana passada disse fazer parte da oposição, em tribuna Bodinho preferiu ser do BIH, mas atacou novamente o prefeito. “Vou lutar pelo povo. Estou dois anos no mandato e o Fernando não me atende em nada. Então para que ficar do lado de quem não atende a população”, completou.

O vereador Marcos Paulo (PPS) pediu diálogo para tentar resolver os acontecimentos da semana passada. “Que a gente possa achar o caminho do diálogo, da paz. Refletir sobre o que aconteceu para que não ocorra mais. E nós vereadores também apoiarmos o diálogo”, diz.

ESTOPIM

A discordância do prefeito Fernando Fernandes com o novo BIH se deve ao fato do apoio ao candidato a deputado federal. Enquanto Fernandes apoia a tucana Bruna Furlan, os vereadores fazem campanha para Ely Santos (PRB), irmão do prefeito de Embu das Artes, Ney Santos.

E Fernandes vetou que os mesmos fizessem qualquer material conjunto entre a deputada estadual Analice Fernandes com a Ely. E aí está o problema. Em seus veículos, por exemplo, os vereadores e seus assessores terão que optar qual candidata vai estampar o adesivo perfurado que colam no vidro do carro. Por enquanto, só dá Ely.

Apoio a Ely Santos por cinco vereadores é a causa da briga com o prefeito Fernando Fernandes, que veta material em conjunto com a deputada Analice Fernandes.

Apoio a Ely Santos por cinco vereadores é a causa da briga com o prefeito Fernando Fernandes, que veta material em conjunto com a deputada Analice Fernandes.

“Sempre foi livre a escolha de deputado federal. Por que agora quer fazer de uma história um cavalo de batalha? Nós nunca titubeamos na escolha do estadual. Agora, se também não quer que apoie o estadual [Analice Fernandes], que nos avise. Não mudamos de lado, não mudamos de posição, mas cobramos respeito”, reclamou Nóbrega.

Egydio também reclamou. “Nenhum momento a gente participou de reunião com o Hugo Prado [candidato a deputado estadual], em respeito a Analice. E da mesma forma a gente queria que o Fernando não chamasse os nossos colaboradores para junto com a Bruna Furlan”, diz.

Passados alguns dias da sessão legislativa e a criação do Bloco Independente e Harmônico, o impasse continua entre os vereadores e o mandatário.

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One Response

  1. Josane Arantes disse:

    Não me espanta a Câmara se dividir, assim como o apoio de vereadores a candidatos de outra cidade também não, quando temos candidatos por Taboão da Serra que já foram colegas dos distintos vereadores na Câmara, o que impera não é oposição e sim a falsidade, existe um jogo de interesses, porem, não são e nunca foram os interesses da população.
    Agora me espanta é vereador dizer depois de dois anos que não são atendidos, achei que eles eram os representantes da população e que em conjunto conseguem atender as necessidades de TABOÃO DA SERRA, e pior de tudo é dar apoio a alguém que alem de não ter representação e historia politica em sua própria cidade os vereadores peçam a população, os mesmos que não são atendidos e representados por eles para votar no distinto candidato. E por falar nisso,o que foi que Bruna Furlan fez por Taboão da Serra? votar no candidato do vereador porque ele fez algum favor? ou votar no candidato porque ele fez por nossa cidade? mas aqui, se fez mil coisas boas e uma ruim, só é lembrado a ruim, acredito que poucos saibam o significado de gratidão.

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