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Secretário de Educação comemora Ideb de 6,2, destaca contratação de professores e reformas e explica atraso nos uniformes de inverno

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Por Samara Matos, Jardim Bom Tempo

O secretário de Educação de Taboão da Serra, Luciano Corrêa, reuniu jornalistas na última sexta-feira (21), na sede da Secretaria Municipal de Educação, para apresentar uma avaliação do resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 e detalhar as ações que estão sendo desenvolvidas pela Prefeitura na rede municipal.

Taboão da Serra alcançou 6,2 no Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental. Durante a coletiva, Corrêa destacou o resultado como um avanço e afirmou que a nota precisa ser analisada considerando o cenário enfrentado pela rede no ano passado, quando houve mudanças na gestão das escolas e recomposição do quadro de profissionais.

“Para nós, Secretaria da Educação, chegar hoje em 6,2, que é a nota que Taboão da Serra alcançou, é um motivo de comemoração”, afirmou o secretário.

O resultado, no entanto, não foi tratado como ponto de chegada. Ao longo da coletiva, o secretário apresentou uma série de medidas que, segundo a pasta, têm como objetivo melhorar a aprendizagem e preparar a rede para os próximos ciclos de avaliação.

Entre elas está a recomposição do quadro de professores. Segundo Luciano, a Prefeitura contratou 328 profissionais da educação em aproximadamente um ano e meio, número que, de acordo com ele, representa uma recuperação do quadro que vinha sendo reduzido por aposentadorias e desligamentos sem reposição suficiente.

“Em um ano e meio do prefeito Daniel, nós contratamos 328”, afirmou.

A Secretaria também ampliou o investimento na formação dos profissionais. A previsão apresentada é de 3 mil horas de formação ao longo de 2026. O secretário relacionou a medida à necessidade de fortalecer o trabalho pedagógico dentro das salas de aula e afirmou que a formação passou a ser uma das principais frentes da atual gestão.

Outro eixo apresentado foi a adoção de material didático único para a rede municipal. A proposta é fazer com que os estudantes tenham acesso ao mesmo material independentemente da escola em que estejam matriculados, reduzindo diferenças provocadas pela falta ou pela substituição de materiais utilizados anteriormente.

A Secretaria também criou uma equipe de monitoramento para acompanhar o desempenho das unidades e identificar, de forma mais específica, onde estão as dificuldades de aprendizagem. A intenção é sair de uma análise apenas da média da escola e chegar ao acompanhamento de turmas e estudantes.

Escolas apresentam resultados diferentes

Embora a rede tenha chegado à média de 6,2, os resultados variam entre as unidades. Das 22 escolas avaliadas, 12 alcançaram nota igual ou superior a 6,2.

A maior nota foi registrada pela EMEF Maria Alice Borges, com 6,7. Entre os destaques de crescimento estão a EMEF Teresinha Volpato, que passou de 5,5 para 6,5; a EMEF Vinícius de Moraes, que apresentou crescimento de 0,7 ponto; e a EMEF Armando de Andrade, com avanço de 0,6 ponto.

O secretário atribuiu parte do desempenho ao trabalho desenvolvido pelas equipes escolares e destacou especialmente a atuação dos gestores. Segundo ele, a mudança na direção das escolas ocorreu pouco antes do período avaliado pelo Ideb, o que reduziu o tempo disponível para que os novos gestores pudessem desenvolver suas estratégias.

“Você não troca 50 diretores, coloca eles à frente de uma escola e fala ‘apresenta resultado em nove meses’. É muito difícil”, afirmou.

Para as escolas que apresentaram resultados abaixo do esperado, a Secretaria diz ter iniciado planos de ação específicos. Os dados do Ideb foram repassados às equipes gestoras para que sejam analisados juntamente com outras avaliações aplicadas pela rede.

A pasta também mantém um programa de recomposição das aprendizagens em 12 unidades consideradas mais vulneráveis nos resultados. O objetivo é trabalhar habilidades que não foram desenvolvidas no período esperado.

Na alfabetização, o projeto GABE atende cerca de 600 estudantes identificados com dificuldades no processo de leitura e escrita. A Secretaria utiliza avaliações de fluência leitora e o acompanhamento pedagógico para direcionar os alunos aos programas de reforço.

Taboão está acima da média nacional

Durante a apresentação, Corrêa também chamou atenção para a comparação com o resultado nacional. Segundo os dados apresentados na coletiva, a média das escolas públicas brasileiras nos anos iniciais é 6,1, enquanto Taboão da Serra alcançou 6,2.

O secretário reconheceu, porém, que a cidade ainda busca recuperar resultados registrados antes da pandemia. Ele citou o 6,8 alcançado anteriormente pela rede como uma referência de desempenho que considera possível voltar a perseguir.

“Se fosse sonhar, não custa nada. Eu acho que seria um número interessante para a gente estar trabalhando, estar vislumbrando, porque Taboão já chegou nesse ponto”, disse.

Mais de R$ 20 milhões em reformas

Além das medidas pedagógicas, a estrutura das escolas foi um dos principais assuntos da coletiva. Segundo Luciano, a Prefeitura está investindo mais de R$ 20 milhões em reformas.

Entre as unidades citadas pelo secretário estão EMEF Magali, EMEF Jardim Guarani Professor Jose, EMEF Aracy de Abreu Pestana, EMEF Bidu, EMEF Asas Brancas, EMEF Paulo Freire, EMEF Machado de Assis, EMEF Armando de Andrade e EMEF Ferreira Paz.

Paulo Freire e Machado, segundo a Secretaria, já tiveram as intervenções concluídas. Outras unidades estão em diferentes etapas de obras.

Também foram mencionadas intervenções em EMEF Papacapim, EMEF Saci, EMEF Visconde, EMEF Maria Alice, EMEF Tio Barnabé, EMEF Ayrton Senna, EMEF Emília e EMEF Jorge Amado e EMEF Narizinho.

Outro problema enfrentado pela rede são os telhados. Segundo o secretário, 20 escolas passaram por reformas ou substituição de telhados, com o objetivo de reduzir problemas principalmente durante o período de chuvas.

A situação da estrutura física foi apresentada como parte da estratégia para melhorar as condições de aprendizagem. Na avaliação da Secretaria, não basta atuar sobre o desempenho pedagógico quando o ambiente escolar também apresenta problemas estruturais.

Novas estruturas para atendimento de estudantes

A educação especial também entrou na pauta. A rede possui, segundo os números apresentados na coletiva, entre 700 e 800 estudantes autistas, dentro de um total aproximado de 1.300 estudantes com deficiência.

A Secretaria estuda a criação de um espaço mais estruturado para atender principalmente estudantes que necessitam de maior nível de apoio. Uma das possibilidades analisadas envolve uma área próxima à EMEF Asas Brancas, que também passa por intervenções.

O município conta atualmente com 188 profissionais de uma empresa de apoio e pretende ampliar esse número para 250. Além deles, a rede possui aproximadamente 400 auxiliares concursados e auxiliares de classe.

Uniformes de inverno ainda dependem de entrega

Entre as questões apresentadas durante a coletiva esteve a entrega dos uniformes de inverno aos estudantes da rede municipal.

Luciano reconheceu que houve um problema com a empresa responsável pelo fornecimento. Segundo ele, alguns materiais já foram recebidos, mas a entrega ainda não havia sido concluída.

O secretário evitou estabelecer uma data para a distribuição completa dos uniformes.

“Não posso falar em prazo, não posso falar em datas, até porque se eu colocar uma data aqui, daqui a pouco vocês vão me cobrar e eu, de forma muito transparente, tenho muito medo de errar uma data”, afirmou.

A situação permanece, portanto, como uma pendência para a Secretaria, que informou estar cobrando a empresa para concluir o fornecimento.

Próximas avaliações serão usadas para medir avanço

Ao longo da coletiva, Luciano Corrêa reforçou que o trabalho desenvolvido pela Secretaria deve ser avaliado não apenas pelo Ideb, mas também pelos resultados de avaliações estaduais e municipais e pelo acompanhamento cotidiano das escolas.

A próxima avaliação do Estado e, posteriormente, o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) serão utilizados como novos indicadores para verificar se as medidas implementadas estão produzindo resultados.

O secretário afirmou estar otimista com a possibilidade de evolução nos próximos anos, especialmente porque os gestores que assumiram as escolas em 2025 terão mais tempo para desenvolver o trabalho pedagógico.

“Eu pessoalmente estou muito feliz com os resultados, muito esperançoso que a gente já consiga novos resultados num curto espaço de tempo”, declarou.

Para Taboão da Serra, o desafio colocado pela Secretaria é transformar o crescimento registrado agora em uma trajetória consistente de melhora da aprendizagem. O 6,2 deixa a rede acima da média nacional apresentada na coletiva, mas também mantém aberta a cobrança por resultados maiores — especialmente nas escolas que ainda apresentam dificuldades.

A aposta da Prefeitura está na combinação de recomposição do quadro de professores, formação dos profissionais, acompanhamento individualizado dos estudantes, material didático comum, recuperação da estrutura física e ações específicas nas escolas com maior vulnerabilidade.

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