Artigo: Mulheres pretas e periféricas resistem!

O 08 de março é um marco mobilizador de lutas importantes para as mulheres sendo desde 1975 reconhecido pelas Nações Unidas. Neste ano, com o agravamento da crise pandêmica que assola o mundo e que traz consequências devastadoras no Brasil pelo descontrole e negacionismo, temos a responsabilidade de seguir protocolos sanitários destacados pela ciência para a manutenção das vidas, o que nos impede, pela responsabilidade política, de ocuparmos as ruas tal como gostaríamos em atos e ações aglomeradas por reivindicações em torno das nossas bandeiras.

Falar do dia da mulher envolve entender que nossos direitos são historicamente negados ao passo que a diferença, enquanto marcador social de gênero, torna-se desigualdade.  Não somos todas iguais, somos diversas e resistimos para dar conta dos encargos que nos são impostos socialmente lutando contra as estratégias de intimidação, formas diversas de silenciamento de nossas falas, invalidação dos nossos discursos e violências no âmbito psíquico ou até mesmo físico (enfrentado por muitas de nós), bem como a desvalorização do nosso trabalho e precarização com ultra exploração na dupla ou tripla jornada de trabalho.

Falar da do dia da mulher é entender, por exemplo, que também reivindicamos a conquista de espaços políticos de forma a criar representação de fato, na medida em que a nossa existência, fora de lugares subalternos, ameaça a estrutura de um sistema patriarcal e branco que quer manter a sua dominação estrutural. Nesse sentido, só resta dizer que resistiremos, apesar de todo recrudescimento. Seguiremos avançando na luta por reconhecimento, justiça e emancipação. Como afirmou Marielle Franco “As rosas da resistência nascem no asfalto. A gente recebe rosas, mas vamos estar com o punho cerrado falando de nossa existência contra os mandos e desmandos que afetam nossas vidas.” Sigamos!

*Najara Costa é professora, socióloga, mestre em Ciências Humanas e Sociais e moradora da periferia de Taboão da Serra

*O artigo não reflete, obrigatoriamente, a opinião do Taboão em Foco.

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