Ciclovia de Taboão é desativada pela prefeitura e dá lugar aos carros

Por Allan dos Reis, no Parque Assunção e Intercap, em Taboão da Serra

Ciclovia de Taboão da Serra é desativada para desafogar trânsito na região central.

A Prefeitura de Taboão da Serra desativou no último sábado, dia 9, a ciclovia do município que liga o bairro do Intercap até a divisa com São Paulo, na Avenida Pirajussara. Com a medida, a Avenida Armando Andrade deve voltar a ser mão-dupla entre o hospital Akira Tada e o distrito policial em breve. O secretário de transportes e mobilidade urbana, Rinaldo Tacola Filho, afirma que a ciclovia era pouco utilizada e o município precisa de mais espaços para circulação de veículos.

“Nós fizemos essa desativação [da ciclovia] por causa de espaço viário que tem falta de opção de vias e o município apresenta baixa metragem quadrada reservada a circulação [de veículos] em relação ao seu espaço construído. Nós temos um adensamento muito grande no município e a baixa utilização [pelos ciclistas] da ciclovia. Fizemos vários trabalhos de observação neste período para poder tomar essa decisão”, afirma Tacola.

Nas ruas, a decisão da prefeitura dividiu a opinião de algumas pessoas. Morador do Jardim Santa Luzia, Amauri Marco de Santi pedalava tranquilamente em um trecho da (antiga) ciclovia no início da tarde de terça (19) sem saber da sua desativação. “Como ciclista era bom [a ciclovia] porque eu trabalho com a bicicleta carregando pneus. Com a desativação vai complicar. Eu vulcanizo pneus e em vez de me deslocar de carro, eu uso a bicicleta que é tão simples porque eu carrego poucos pneus”, diz.

Já a comerciante Tânia Mara, dona de restaurante na Avenida Brasil, a desativação tinha que acontecer porque prejudicou os comerciantes. “Nós nunca concordamos com a ciclovia porque está em local inadequado. A gente nunca pode usar a ciclovia porque é muito perigoso ser atropelado por algum carro. E ainda a avenida ficou menor  e [os clientes] não podem estacionar mais porque senão tomam multas. As pessoas do bairro reclamavam muito”, afirma.

No sábado, dia 9, em evento em Embu das Artes, o prefeito Fernando Fernandes confirmou o fim da ciclovia e diz que vai estudar se implementar uma ciclovia aos domingos, com faz o município de São Paulo. “Foi uma decisão administrativa para melhorar o fluxo dos carros na cidade e talvez a gente faça uma ciclovia aos finais de semana com cones como acontece em São Paulo”, disse o prefeito Fernando Fernandes.

FALTA SINALIZAÇÃO

Como a pintura da ciclovia continua no asfalto, motoristas e ciclistas continuam respeitando o local que antes era destinado à circulação de bicicletas. De acordo com o secretário de transportes, a prefeitura deve fazer em breve uma campanha informativa para alertar aos que circulam nessas vias.

As tartarugas que estavam no asfalto para separar a área do carro e das bicicletas já foram retiradas, assim como todas as placas de sinalização.

Motoristas ainda respeitam a sinalização da ciclovia desativada em Taboão da Serra

CICLOVIA CUSTOU QUASE R$ 600 MIL

A ciclovia de Taboão da Serra foi construída em 2008 na gestão do ex-prefeito Evilásio Farias (PSB) e custaram quase R$ 600 mil, sendo que a maior parte do custo (80%) foi bancada com dinheiro do Governo Federal.

Em 2010, o cicloativista e diretor da ONG CicloBR, André Pasqualini, fez uma avaliação criteriosa em encontro com moradores da região cortada pela ciclovia e afirmou que o projeto era bom, mas faltava sinalização da prefeitura, que acabou nunca fazendo.

De acordo com o secretário, o custo para efetuar a manutenção necessária pesou na hora da decisão sobre a desativação. “Nós temos um problema sério de estruturação já que foi deteriorando ao longo dos anos e não foi feito manutenção. Então gastaríamos um valor próximo a esse para fazer a manutenção”, completou Tacola.

Em 2010, comerciantes da Avenida Brasil e ciclistas divergiam sobre a necessidade da ciclovia.

Este anúncio custou aos cofres públicos municipal a quantia de R$ 1.100,00.