Crise no atendimento a pacientes com covid-19 em Taboão vai agravar se Estado não abrir vagas de UTI

Por Allan dos Reis, no Jardim Bom Tempo

Horas após confirmar a morte por covid-19 de 11 pessoas por falta de leitos de UTI, a Secretaria Municipal de Saúde de Taboão da Serra concedeu entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (9) e mostrou o panorama dos próximos dias. Se o Governo do Estado não disponibilizar leitos, mais pessoas vão morrer sem atendimento na UPA Dr. Akira Tada. Essa é a análise da secretária adjunta de saúde, Thamires May.

“O risco [de novas mortes] é a quantidade de pacientes que nós temos grave e entubados aguardando no Cross. O município tem um limite de comprometimento e atendimento. Nós temos respiradores e conseguimos estabilizar o paciente, mas ele precisa de um suporte maior. Um paciente entubado possivelmente precisa fazer hemodiálise e nós não temos esse procedimento dentro do município. É de alta complexidade”, explica.

Tamires mostrou documentos que comprovariam os pedidos de transferência através do Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), mas horas antes, a Secretaria Estadual de Saúde negou que Taboão da Serra esteja sendo prejudicado.

Responsável pela Vigilância Epidemiológica de Taboão da Serra, Milton Parron apresentou dados atualizados da covid-19 no município, que até o momento tem 422 óbitos e 12.225 casos registrados. A UPA Dr. Akira Tada tem 52 pessoas internadas, sendo que a capacidade é de 40 leitos.

Ele utilizou de gráficos para ‘minimizar’ a gravidade que Taboão enfrenta. “A impressão é que a gente tem é que apenas aqui [no município] está morrendo gente”.

O prefeito Aprígio (Podemos) não participou da coletiva. Apesar de estar na agenda do político. Ele teria ido a Assembleia Legislativa discutir com políticos do seu partido e pedir interlocução com o governador João Doria (PSDB).

SEM LOCKDOWN

Questionado sobre a possibilidade de fechar completamente o município, decretando lockdown, como fez Araras, cidade do interior do Estado, o secretário de governo Mário de Freitas descartou essa possibilidade e lembrou a proximidade com a capital paulista, local de trabalho de milhares de taboanenses, fator que inviabilizaria qualquer fechamento mais rígido.

“Lockdown não vai resolver. Precisamos de uma ação do Governo do Estado. E até agora [por volta das 16 horas], nãos tivemos nenhum contato”, reclamou o secretário de governo, Mário de Freitas.

QUATRO TRANSFERÊNCIAS

Segundo a secretária adjunta, nas últimas horas o município conseguiu quatro transferências através do CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde). Porém, na UPA ainda tem 12 pacientes entubados.

Secretária adjunta de saúde de Taboão da Serra, Thamires May mostra documentos que comprovariam os pedidos de transferência negados pelo Estado.