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OPINIÃO: Trabalhar até adoecer? O debate sobre a escala 6×1 que Taboão não pode ignorar

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Por Wanderley Bressan*

Mais do que jornada, discussão expõe o limite entre produtividade e dignidade no dia a dia do trabalhador.

O fim da escala 6×1 não é apenas uma discussão trabalhista — é um alerta sobre o modelo de vida que estamos normalizando. Como vereador em Taboão da Serra e defensor da valorização do trabalhador, tenho acompanhado de perto uma realidade que muita gente já sente na pele: o limite entre trabalhar e adoecer está cada vez mais próximo.

Em cidades como a nossa, onde o trabalhador enfrenta longas jornadas somadas a horas no transporte, a pergunta que precisa ser feita é simples: até quando isso é sustentável?

Durante décadas, fomos levados a acreditar que produtividade significa trabalhar até a exaustão. Mas o mundo começa a mostrar outro caminho. Experiências internacionais, como a jornada de quatro dias, indicam que descanso não é perda — é estratégia. Um trabalhador descansado produz mais, erra menos e vive melhor.

Na prática, o modelo atual muitas vezes gera o oposto: profissionais cansados, com baixa eficiência e alto desgaste físico e emocional. E essa conta não desaparece — ela chega à saúde pública, às famílias e à economia.

Em Taboão, essa realidade é ainda mais intensa. O tempo gasto no deslocamento, somado à escala 6×1, reduz drasticamente o espaço para estudo, qualificação e convivência familiar. O resultado é um ciclo que limita oportunidades e freia o crescimento social.

*Wanderley Bressan é vereador no município de Taboão da Serra, eleito pelo PDT em 2020 com 5.678 votos.

*O artigo não reflete, necessariamente, a opinião do Taboão em Foco.

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