Por Samara Matos, Jardim Helena /Foto: RS/Fotos Públicas
A operação policial realizada no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 100 mortes, repercutiu na sessão da Câmara Municipal de Taboão da Serra na terça-feira (4). Os vereadores manifestaram opiniões divergentes sobre a ação e debateram os impactos da violência e das políticas de segurança nas periferias.
A vereadora Professora Najara Costa repudiou a operação e alertou para o avanço do “discurso de ódio” e das consequências sociais da violência institucionalizada. “Muita gente tem aplaudido essa ação no Rio, mas isso promove um adoecimento psíquico e um discurso de ódio. Eu sou uma mulher negra que veio da periferia e vi muitos dos meus amigos tombarem. O Estado precisa garantir oportunidades de cultura, estudo e formação para que os jovens não sejam aliciados pelo tráfico”, afirmou. “Dizer que bandido bom é bandido morto é um discurso fascista. Se matarmos todos os bandidos, só sobrará assassino na sociedade”, completou.
O vereador Sandro Ayres afirmou que a ressocialização deve ser buscada como alternativa ao ciclo de violência, sem deixar de reconhecer o sofrimento das famílias atingidas pelo crime organizado. “Bandido bom é o bandido ressocializado, aquele que já passou pelo crime e hoje ajuda outras pessoas a mudar de vida. Temos que levar cultura e educação para a periferia, mas também reconhecer o sofrimento das famílias dominadas pelo tráfico”, disse.
Preocupado com a segurança dos agentes, o vereador Dr. Ronaldo Onishi criticou o risco de operações de grande porte e cobrou mais uso de inteligência. “A ação no Rio precisa ser repensada. Quatro policiais morreram e oito ficaram feridos. São pais e mães de família que perderam a vida. É preciso usar a inteligência do Estado para combater o crime sem colocar em risco as forças de segurança”, afirmou.
Na mesma linha de preocupação com as populações afetadas, o vereador Donizete ressaltou a vulnerabilidade de moradores de áreas controladas por facções. “Quando um cidadão desafia o Estado com um fuzil na mão, ele não está querendo coisa boa. Mas quem sofre de verdade são as famílias que vivem sob domínio do tráfico, sem liberdade e nem segurança”, declarou.
O vereador Anderson Nóbrega lamenta as mortes, “mas quem pega um fuzil está desafiando o Estado. Cidadão de bem não anda armado. O povo não aguenta mais tanta crueldade e insegurança”, disse, lembrando casos de violência que atingem famílias e crianças.


