Direto da redação
A Justiça de Itapecerica da Serra afastou da função pública um delegado da Polícia Civil acusado de atuar em benefício de uma organização criminosa ligada à adulteração de veículos e crimes tributários. A decisão, tomada na última sexta-feira (6), atendeu a um pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
Na mesma decisão, dois empresários — pai e filho — tiveram prisão preventiva decretada. Outras duas pessoas, uma filha de um dos empresários e uma funcionária da empresa investigada, foram alvo de medidas cautelares, que incluem a proibição de acessar o local e a obrigação de comparecer mensalmente à Justiça para informar sobre suas atividades. Com a aceitação da denúncia pelo Judiciário, todos se tornaram réus na ação penal.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, o grupo estruturou uma organização criminosa a partir de uma empresa de implementos rodoviários instalada em Itapecerica da Serra. A empresa era utilizada para comercializar reboques e semirreboques com sinais identificadores adulterados ou suprimidos, muitos de origem ilícita. Para dar aparência de legalidade, os veículos eram apresentados como novos ou de fabricação própria, com emissão de documentos e notas fiscais que ocultavam a real procedência.
As apurações indicam que os líderes do grupo coordenavam as atividades ilícitas e o relacionamento com clientes e funcionários, enquanto outros integrantes atuavam nas áreas administrativa, financeira e comercial, movimentando valores e realizando transações vinculadas ao esquema. Durante fiscalizações rodoviárias em diferentes estados, autoridades identificaram implementos registrados como da empresa, mas com características estruturais de outros fabricantes e sinais de remarcação de chassis.
Uso indevido do cargo
De acordo com o Ministério Público, o delegado denunciado teria utilizado suas prerrogativas do cargo para favorecer a organização criminosa, facilitando a execução do esquema e oferecendo proteção ao grupo investigado.
O caso segue sob investigação, e novas medidas judiciais podem ser tomadas à medida que a apuração avança.


