Por Samara Matos, no Jardim Helena
O prefeito de Taboão da Serra, Engenheiro Daniel, declarou nesta quarta-feira (27) sua oposição à implantação de um cemitério vertical na Chácara Agrindus, área central da cidade. Apesar de o empreendimento ser privado e tecnicamente regular, ele avalia que a proposta não atende aos interesses da comunidade local — e defende que a decisão final deve passar pelo crivo da população.
“Se você olhar os comentários nas redes sociais, assim como minha opinião, 99% das pessoas são contra a construção do cemitério vertical”, disse. “É uma área particular, com documentação regular. Não cabe ao prefeito simplesmente impedir a obra.”
Embora o projeto já tenha sido submetido à análise da Comissão de Estudos de Impacto Ambiental e de Vizinhança (CIAV) — com base no Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV) apresentado pelo empreendedor —, o prefeito ressaltou que a regularidade documental, por si só, não confere legitimidade social ao empreendimento.
“A única solução encontrada para que isso não ocorra, e para evitarmos qualquer ilegalidade, é a realização de uma audiência pública. Esse é o caminho previsto por lei para que a população seja ouvida e possa manifestar sua vontade”, afirmou.
Audiência pública
A Prefeitura convocou uma audiência pública para esta quinta-feira (27), no plenário da Câmara Municipal, aberta a todos os moradores. A intenção, segundo a Secretaria Municipal de Habitação, é garantir transparência, ouvir quem será diretamente afetado e avaliar os possíveis impactos sociais e ambientais do projeto.
O processo também conta com o acompanhamento de órgãos de fiscalização, como o Ministério Público do Estado de São Paulo e a Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Taboão da Serra (OAB Taboão da Serra), o que dá respaldo institucional à discussão.
Moradores se mobilizam contra o empreendimento
A reação da população local já ganha corpo com a mobilização de moradores do entorno. Um abaixo-assinado contra a construção do cemitério vertical já reuniu mais de 6 mil assinaturas. Entre os receios manifestados estão a desvalorização imobiliária da região, impactos ambientais e o uso de uma área central para um empreendimento desta natureza.
Embora tenha deixado claro que rejeita o projeto na Chácara Agrindus, o prefeito Daniel não fechou a porta para discutir a possibilidade de cemitérios verticais em outras áreas do município — desde que o local, as condições técnicas e a aceitação social sejam compatíveis.
“Se for debatido em outro local, com critérios adequados, talvez faça sentido. Mas desse jeito, como está proposto, apenas o proprietário sai ganhando. Para Taboão, não é viável”, concluiu.


