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Setembro Amarelo: Vamos nos conscientizar sobre a prevenção ao suicídio

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Por Sabrina Ferreira*

Muito se discute sobre este tema tão delicado, muitas vezes velado, subnotificado nas entradas hospitalares criando-se um tabu em nossa sociedade, mas falarmos sobre “salvar vidas” é de extrema importância.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos sendo a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil em média 30 pessoas tiram a própria vida diariamente. A incidência maior está no gênero masculino no qual cometem o ato suicida de forma mais letal do que no gênero feminino cujo a incidência é maior em tentativas de suicídios por intoxicações medicamentosas.

Para muitos o suicídio ainda não é visto como um problema de saúde pública, mas sim como uma fraqueza de conduta ou personalidade. Por isso é necessário observarmos os principais sinais a este fenômeno e o que está por traz desta dor imensurável:

  • Pessoas que apresentam comportamentos retraído, se isolam de amigos e familiares, apresentam irritabilidade, pessimismo e apatia. Sentimentos de incapaz, desvalia, culpa. Personalidade impulsiva, agressiva ou humor instável.
  • Cabe ao profissional avaliar se a pessoa apresenta alguma doença psiquiatra como esquizofrenia. Transtorno psicológico que na sua maioria estão instaladas uma depressão, transtorno de personalidade bipolar, transtorno de personalidade boderline. Isto não se refere que toda pessoa que apresenta estes transtornos pode levar a pensamentos a suicidas, mas boa parte das ocorrências podem estar associadas a estes transtornos.
  • Abuso de substâncias psicoativas como álcool e drogas.
  • Doenças crônicas como limitantes e dolorosas.

Um estudo realizado pela Faculdade de medicina da USP em 2013 relata um índice de crianças e adolescentes entre 10 e 15 anos que cometeram suicídios e tentativas, que deram entrada em alas psiquiátricas. Neste caso podemos relacionar a fatores associados a um contexto familiar conturbado, rejeição familiar, ocorrência de suicídio na família, bulling (principalmente nas escolas), ciberbulling (redes sociais).

Levando-se em consideração a todos estes aspectos podemos observar que atualmente discute-se este tema com mais abrangência, visto que em algumas escolas já promovem o “Setembro Amarelo”, nas unidades de saúde, assistência social e nas experiências com meus atendimentos em clínica, pude observar o quanto é importante trabalharmos em “prevenção”. Cabe a todos nós acolhermos a dor do outro, orientar a buscar ajuda médica e psicológica. Busque a rede de apoio da sua cidade e procure o disque 188 CVV (centro de valorização a vida) serviço gratuito de apoio emocional para auxiliar na prevenção ao suicídio, funciona 24 horas por dia.

A nós profissionais da saúde temos o dever de trabalharmos no auxílio empático na prevenção ao suicídio daqueles que sobreviveram ao ato suicida, bem como a luta de familiares enlutados na dor da perda.

Referências:

REZENDE, F. “Suicídio como desamparo humano”, o fenômeno no olhar Winnicottiano. São Paulo – Ed. Fontenelle. 2019.

KUCZYNSKI, E. “Suicídio na infância e adolescência” PSICOLOGIA USP. www.scielo.br/pusp. (2014.vol 25. n.03).

*Sabrina Ferreira é Psicóloga Clínica especialista em Psicologia Hospitalar e Saúde Mental. CRP 06/130003. Atua na Clínica Figueiredo & Lima.

E-mail: .sabrinapsicologa2016@gmail.com

*O artigo não reflete, obrigatoriamente, a opinião do Taboão em Foco.

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